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O BRASIL ACORDOU: VIVA A DEMOCRACIA DIRETA!

O BRASIL ACORDOU: VIVA A DEMOCRACIA DIRETA!

Em São Paulo, maior metrópole de nossa nação, um grupo de manifestantes começou um protesto que parecia despretensioso, contra o preço da tarifa de ônibus municipal, no intuito de reduzi-la de R$ 3,20 para R$ 3,00. Suspeitou-se de um movimento de fundo partidário e anarquista, com vistas a produzir resultados na eleição de 2014 e muita baderna. A suspeita aumentou quando vândalos destruíram carros, depredaram patrimônios público e particular, e incendiaram o que viram pela frente. Aos poucos, no entanto, os criminosos infiltrados logo se transformaram em minoria, os oportunistas de plantão foram isolados e expulsos, e o movimento se espalhou por todo o país, ganhando contornos de protesto da própria população.

As causas motivadoras do movimento tornaram-se as mais variadas e conferiram-lhe contornos globais, alcançando todo o território nacional e se espalhando pelo mundo afora, onde quer que houvesse um brasileiro. Todas expressavam a revolta dentro de cada cidadão e cidadã quanto aos desmandos da administração pública nas últimas décadas.

Impunidade, corrupção, gastos excessivos com a Copa do Mundo, serviços públicos caros e ineficientes, impostos elevados, gastança do dinheiro público com mordomias, criminalidade em alta, não à PEC 37, enfim, tudo o que gera inconformismo na pessoa comum era expressado pelos manifestantes.

Não se sabe quanto tempo a manifestação vai durar. O primeiro resultado, no entanto, já foi produzido: a Prefeitura de São Paulo recuou de sua posição inflexível e cedeu, reduzindo a tarifa de ônibus, nos moldes propostos. O outro resultado, muito mais profundo e duradouro, é uma constatação difícil de ser refutada: a falência do sistema representativo em nosso país.

O povo não se sente mais representado por sindicatos, ONGs, partidos políticos ou instituições. A democracia indireta ou representativa está sendo questionada. A população não confia mais nos mecanismos de interlocução e quer ir às ruas para protestar.

Cabe à classe política entender o momento (já não era sem tempo) e se ajustar a essas aspirações, mudando seus hábitos e fazendo-se aproximar da sociedade.

Os Poderes e as instituições custam caro, são mantidos às custas de pesados impostos e não têm, salvo raras exceções, atendido às expectativas e anseios populares. Precisamos mudar. Com urgência. Enquanto isso não acontece, ao que tudo indica, a população continuará a gritar e protestar.

Quanto aos manifestantes, espera-se que se posicionem de modo a respeitar os outros cidadãos, que também estão inconformados com uma série de fatos, mas devem poder prosseguir sua vida sem perder seus direitos de propriedade e locomoção.

Preenchidas essas premissas básicas, viva a democracia na sua forma mais autêntica. Viva a democracia direta!

Fernando Capez é deputado estadual em São Paulo pelo PSDB e procurador de justiça licenciado.